4 de outubro de 2008

Garden


Chegou o fim do dia. Paro e penso. Sinto uma melancolia pegajosa que traz consigo uma certa tristeza. Perco-me naqueles corredores, bombardeada com pensamentos vários. Acho que a Terra rodou mais rapidamente do que o que devia. A minha vida pode ser resumida a momentos de pura confusão interior. Questiono a minha normalidade. O que vejo é turvo como um sonho. Duas estradas, duas opções. Qual é a correcta? Relembro acontecimentos passados, tanto do lado A como do B. O que me salva é a capacidade de me transportar para outros sítios, de ir buscar sensações ao passado. Aquele pôr-do-sol, aquela praia, o vento a passar na minha pele, a chuva que cai no fim do verão ainda quente. Deixar-me envolver na natureza. Sermos um só. Voltar às origens. Quem já não sentiu isso? Sinto-o e fico arrepiada. A liberdade arrepia-me. Gosto de ter estes momentos de fuga. Fechar os olhos e ser levada. Depois, sou banhada numa tranquilidade, a confusão acalma. Sinto o bater do coração, escuto a respiração, sinto-me viva. Que bom é estar viva! Tanto por fora e por dentro. A vida tem de ser alimentada. A parte mais superficial alimenta-se com comida; a mais profunda com os sonhos. Gosto tanto de viver. Desejo mostrar a alguém como é bom viver. Quando era pequena e a minha mãe se chateava comigo, fugia para o escritório, ficava sentada, encostava um búzio ao ouvido e ficava a ouvir o barulho do mar. (Eu amo-a e perdoo as coisas erradas que ela fez e espero que ela faça o mesmo comigo.) Mas essa parte da minha já foi aceite. Há quem faz com que o passado seja um obstáculo a um futuro, por medo, medo de sofrer talvez. Já me aconteceu. Mas não quero que isso aconteça muitas vezes, prefiro ter cuidado, saber onde estou a pôr os pés, do que construir um muro tão alto que até a luz fica com medo de espreitar. Qual é o meu maior medo? Acho que de certa forma tenho medo de ser esquecida, já o desejei, facilitava muito as partidas sem regresso marcado. Mas eu não quero ser algo superficial. E quando o fim do dia voltar, saberemos se tomámos a escolhas correctas? Voltarei ao meu canto secreto, ao meu espaço mental, onde só entra quem eu deixo.


After all is done, and we're still alone. I won't be taken, yet I will walk with my hands bound into your garden, your garden of stone.

2 comentários:

Anónimo disse...

i guess u need someone to share ur life with it... i don't know..

nao sabes o q queres... em posts anteriores dizes que te queres sentir livre, que queres desapaerecer e as vezes nao queres voltar.. as vezes quando estamos sozinhos ou sentimos falta de alguma coisa normalmente temos tendencia a querer fugir, nao dos problemas ou seja la o q for, mas sim daquilo que receamos alcançar.. depois há uns dias em q dizemos.. eh pah, ja nao tinha um dia tao bom como hoje ha nao sei quanto tempo e ficamos naquela estado como tu referiste de melancolia..


sabes aquilo q me preeche cada centimetro de mim todos os dias?

...

amor puro..

cresce todos os dias... forma-se, transforma-se, ganha uma forma hoje, mas amanha ja tem outra forma.. nao sei pq..


"eu sou um motor dum carro, e como todos os motores, precisam de combustivel para funcionar, para andar pa frente, mas tambem para fazer macha-atras, as vezes é preciso.. a minha vida é como uma auto-estrada.. uns dias anda-se que é uma maravilha, simplesmente deslizo pela estrada fora.. outras vezes apanho um transito infernal.. eu consigo viver assim é um facto.. mas sem combustivel, nao."



és a minha fonte de vida.. ha quem chame de alma gémea, tambem pode ser.. mas eu prefiro dizer q és a minha vida, o melhor q eu tenho em mim


bjo* thanks 4 reading

Anónimo disse...

detail: like the pic