29 de novembro de 2008

Relação causa-efeito

Sentados no carro, parados no trânsito como se de um drive-in se tratasse, onde se representava as peripécias da vida real - mas que belo espectáculo! Carros capotados, vidros no chão, sirenes, buzinas, o caos completo.
O meu caos é puramente mental.
Estamos habituados a ver um objecto e normalmente sabemos identificá-lo, a sua função, etc. A nossa vida baseia-se na atribuição de nomes às mais diversas coisas. O "chamar as coisas pelos nomes". Não questionamos o porquê do nome. E se um dia tudo mudasse, as coisas deixassem de ser o que são?
Construimos jaulas para os animais, observamo-los através do vidro, das grades, mas será que temos a certeza de que lado é que estamos? Estamos tão seguros da vida que temos que já não damos importância...
E se tudo à nossa volta não for o que aparenta ser? O mundo que nós pensamos conhecer pode não passar de um sonho. Mas para o ser humano comum isso não interessa, que diferença lhe faz? Tem de pagar impostos na mesma, tem de trabalhar na mesma, tem de fazer mais um monte de coisas na mesma. E consegue ter a presunção (que chega a ser ridícula) de pensar que controla tudo e todos. Teremos medo de ver?

Adoro cinema. Um dos meus filmes preferidos é o Efeito Borboleta, que se baseia na Teoria do Caos. "O simples bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo". Por mais bizarro que pareça é verdade, a vida é feita de sequências de causas e de seus efeitos. Qualquer coisa que façamos terá sempre uma consequência que afecta os outros, pois não vivemos sozinhos. Tudo está relacionado. Cabemos atribuir um tipo e grau de relacionamento. Acredito que basta um gesto, um sorriso, algo simples e pequeno para mudar a vida a alguém (ou pelo menos o dia!).
O que faríamos se de repente descobríssemos uma maneira de voltar atrás no tempo e podessemos corrigir alguns actos cometidos, alguns erros? Mudaríamos o que fizemos? Deixaríamos tudo como está? E se mudássemos tudo só para salvar a pessoa que mais amamos neste mundo mesmo que isso implicasse que a perdêssemos, seguiríamos em frente? A linha que separa os vivos dos mortos é tão fina. Teríamos essa coragem? Amamos o suficiente? (O amor tem medida?) Viver sem arrependimentos é isso mesmo, é termos a hipótese de corrigi-los e não o fazermos pois isso alteraria no nosso agora. Eu não quero isso! Ele foi fazendo regressões ao passado através dos seus diários, quando regressava ao presente via que estava tudo pior e voltava a repetir a viagem, tudo para salvar as pessoas que amava, incluindo o amor da sua vida. Até que chega à conclusão que só a pode salvar se a deixar ir, se voltar ao dia em que a conheceu e a afastar para sempre da sua vida, e é isso que faz. Ela nunca saberá que o conheceu uma vez, numa realidade paralela, ele saberá sempre quem ela é e o que representa para ele. Para mim, isso vale mais que todos os amo-te's do mundo. "Alterar o passado pode destruir o futuro".


2 comentários:

Daniela disse...

Às vezes gostava que o tempo voltasse atrás para eu puder corrigir alguns erros que cometi, oportunidades que deixem escapar, mas depois pergunto-me "será que depois o futuro iria ser melhor ou pior". E é assim, mesmo que eu pudesse alterar o passado nunca o faria, as coisas têm de seguir o seu rumo normal, e se queremos uma vida sem arrependimentos mais vale aproveitar logo todas as oportunidades. Já perdi muita coisa à custa da falta de coragem... De querer algo e dizer que não, de puder conhecer "o" tal e ter medo de ir cumprimentá-lo. É assim a vida, feita de escolhas. Mas apesar de tudo isso, sei que hoje sou uma pessoa melhor porque sei o quão doloroso o arrependimento é e saber que a culpa de estarmos assim é nossa. O que eu quero mesmo, não é mudar o passado, mas sim o futuro!
Sei que nós as 2 ainda vamos ser muito felizes! E quando formos velhinhas havemos de contar as nossas histórias fantástica: tu aos teus netos e eu aos meus sobrinhos (os gatos não me hão-de entender...). E assim vamos ser no futuro e agradecer por não termos tentado mudar o passado :D

Jojo disse...

por isso é que eu gosto tanto da intuição e dos primeiros palpites..normalmente sao os que estão correctos