19 de janeiro de 2009

How it ends



Desenha-me um sorriso. Desenha o meu sorriso. Aquele sorriso que te deixou apaixonado por mim. Desenha-o nos teus sonhos.
No meu rosto.
Na tua memória. Mas não te esqueças.
Dele,
de mim,
de ti
e
de nós.
Não te esqueças do tempo.
Nestes dias, o mundo torna-se indiferente. Sê a diferença que eu vejo no mundo.
Mostra-te. Mostra-me.
Quem és. Quem sou. Aprende a observar.
Observa-me. E não me digas nada.
Diz-me antes tudo. Tudo o que sentes. Tudo o que queres sentir. O que vês. O que ouves.
Um dia serei apenas cinzas do que fui, do que queria ser. E tu só me sentirás no vento. Vou-me juntar ao vento. Vou soprar-te ao ouvido quando te sentires só. Vou dissolver-me em pequenas partículas que vão levemente tocar a tua pele. Então, irás dar a mão ao vento, abrirás os braços à vida. Abrirás os braços a mim. E vais querer apanhar-me.
Pôr-me dentro de um frasco com um rotulo. Queres sentir o meu cheiro e não consegues. Confundes-me na rua.
Confundes-te na rua. Confundes-te com a rua. A rua confunde-te. Serás a confusão na rua.
Serás a sombra do que és. As pessoas só nos pertencem nos sonhos. Expiravas risos ao ver-me dançar na relva. Corrias atrás de mim. Eu rodopiava em ti.
Ser magnético.
Puxavas-me para ti. E agora? Corres em direcção ao infinito, olhas à tua volta.
Na tentativa de me encontrares. Estás numa casa de espelhos. Tenta seguir a minha voz.
Tenta ouvir os meus passos.
Segue os meus passos,
ouve a minha voz! Estou mesmo aqui. Aqui, onde me deixaste.
Aqui, onde me largaste a mão.
Aqui, ao teu lado. Neste tempo todo não me mexi. Tu só vês o movimento. Pára de caminhar.
Estou cansada. Quero deitar-me por cima das águas congeladas.
Procura-me nas praias de inverno. Procura-me a meio do caminho. Na casa abandonada. É só virares a cara. Pede-me para te amar.
Pede-me para sonhar contigo. Pergunta-me se quero ir contigo para outro lugar. Faz-me perguntas fáceis para eu dizer que é complicado. Pergunta-me como vais.
Como vamos (?). Nunca fomos ver a neve. Nunca fomos ver a praia. Ou o pôr-do-sol.
Leva-me. Lembrei-me de uns lugares que te quero mostrar.
Os meus lugares. Lembro-me de caminhar no fim da praia, pela areia que já fazia mais parte do mar que da terra, caminhei até o sol acabar. Nunca mais vi esse lugar. Onde o mar transparente nasce e a areia morre.
Onde nascemos. Já é tarde.
Nunca é tarde! Esconde-me do tempo.
Não deixes que ele me apanhe. Ele vai apagar-me. Vai tirar-me de ti. Não voltes para aquela rua.
Por duas vezes quase fomos um. Por duas vezes quase fui eu
sem mais nenhum. Quase te tive as mesmas vezes que quase te perdi. Venceste a eternidade. Na tua fuga descontrolada de ti próprio, escapaste à imortalidade. Os mortos são imortais (por isso é que estudamos História). Nunca iremos ser um do outro.
Tu voas.
Eu rodopio. Mas,
quando voares não te esqueças que eu rodo à tua volta. Vamos estar juntos para sempre. A nossa eternidade está erguida.
Construimos
a nossa imortalidade. E eu amar-te-ei
quando o ultimo raio de luz desaparecer no horizonte. Amar-te-ei
durante o lusco-fusco. Vais encontrar-me
nos segundos antes do sol nascer. E eu aí pertencerei-te. E quando acordarmos vamos pensar que foi um sonho e desejar que se repita.
Que se repita eternamente. E a cada dia que passará,
conheceremos uma parte do mundo nova. As auroras,
as plataformas de madeira que descansam sob a areia da praia escondida,
o eco da montanha, a neve que caiu, a chuva fria. Tens tempo para a eternidade?

1 comentário:

Daniela disse...

Claro que tenho tempo! :]