10 de abril de 2009

Duas semanas. D.u.a.s.P.e.s.s.o.a.s. Duas! Deux! Dos! Due! Desenvolve-se um certo vicio no numero. Dentro de dois dias vou-me embora e sinto-me estranha. Estranha como se fosse a letra de uma pessoa. Finalmente as coisas estão a endireitar-se. Menos as minhas costas. Está tudo a ir no caminho certo. Menos a economia. Torna-se difícil distinguir quem vai em contra-mão. Gosto de comer duas gomas de cada vez, elas acabam-se por misturar e formar um só liquido. Estou totalmente a divagar para fazer tempo.

--Passado--

Bem passado,

diga-se
de passagem.


Um texto feliz, feliz como eu me sinto agora. Agora porque o que vem a seguir não me preocupa. Achava que não era comigo, que não tinha sorte no amor. Tudo era uma confusão, uma tempestade. E de facto a minha atracção para tudo o que era problemático, para tudo o que me veio causar problemas não me largava. Ou eu não a largava a ela. Agora vejo tudo calmo, não há confusão, insegurança, indecisão. Não há vontade de fugir, de me esconder, de rebentar com tudo. Não há medos! "Quando uma mulher corta assim o cabelo é porque quer que a sua vida mude completamente." E queria. Dei um passo em frente. Foi estranho abrir as portas, arejar a casa com novos ventos. Matar todos os ácaros! Limpar o pó. Não há pressa em ir. Avariem-se as cantenárias, os autocarros. Deixem que se percam os comboios. Deixem que se percam os amantes! Que se perca tudo. E deixem-me ver o sorriso puro. Que interessa se será tempo desperdiçado? Mesmo que não haja sentido na vida. Vamos morrer de qualquer modo, o interesse reside na aprendizagem que se faz, nas experiências que se adquirem, nas pessoas e lugares que se conhecem, nas ideias que se tem e partilham. Mesmo que o sentido da vida passe por não fazer sentido nenhum. Sonho. Mesmo que o sonho seja uma alucinação, uma miragem, seja o que nada é. Sonho porque tenho uma sede insaciável. Tenho necessidade de injectar estas doses de loucura. Se essa é a forma de escapar à rotina.



Os neurónios em conjunto gritavam a tua imagem e os nervos transportavam um quente que me arrepiava os braços. Do lado de fora só se via a escuridão. Era mais fácil pintar-te. E eu apagava-me, apagava o cérebro por momentos. Sabia lá onde andava. Noutro planeta habitado por pessoas com quatro olhos, onde chovem rectângulos de plástico do céu, que é feito de néon azul. Dá-me a sensação que estou dentro de um aquário. As histórias perdiam o sentido, nós a consciência de nós mesmos. Inconscientemente, claro. Eu descobria sabores impossíveis em coisas reais. Voltámos para outro Portugal, para outra Lisboa, temos uns olhos diferentes, mais usados. Olhos que olham com vontade de ver. Que vêem para além daquilo que outros pintam. Olhos que olham e ouvem interpretações que outros olhos quiseram mostrar. O coração, esse andava atado a um cordel, voando, preso ao pulso esquerdo, distraindo-se pelo meio das nuvens. Descia mal pegava no telemóvel e escutava a tua voz. Era como se estivesses lá. "Vai lá entender!" Acabei mais marcada do que esperava. A minha instabilidade adormeceu.

Fazem-se os planos para que se tomem novas rectas para chegar a novos pontos. Com mais ou menos intersecções. Com as distancias e os ângulos necessários. Novas secções, diferentes sombras. Onde se opta por paralelismos ou perpendicularidades.

Tomei uma nova recta, curvei-me para trás e vi a praia ao contrário. O sangue desceu-me à cabeça e só me escorriam risos por entre os dentes. Coisa fascinante! Ver o mundo ao contrário. Vê-se a esfera que é a terra e foge-se das ondas para não se ficar molhada. Descobre-se a simplicidade de não precisar de mais nada.

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