21 de abril de 2009

Sedimentação e outros processos geológicos importantes


Desce rapidamente cheio de preguiça como quem acaba de acordar, talvez esteja tão cansado que já nem para chegar a casa tem força. O Sol.
Continuo a gastar a minha voz, cantando. Pobre garganta. Coitado do estômago.
Bocas escusadas. Pessoas abraçadas. Estão esfumadas, as nuvens. Afastadas, embaraçadas, engraçadas. As pessoas.
Utiliza-se o anonimato do telemóvel para apresentar a vergonha a certos indivíduos. Passam-se atestados de estupidez, ou pelo menos tenta-se... Devemos ter essência de seringa no sangue para fugirem de nós. Devemos ter medo de injecções e fugimos. Sem lentes.
É um ajuntamento de areia movediça, o texto, tem água para que se solte o atrito. Perde-se a consistência. E assim conseguimos encontrar vários tipos: os que preferem ser detritos rochosos ou os que evoluem para rochas sedimentares. De pessoas.
Agora que noutro lugar já se deu o primeiro lusco-fusco, aqui as nuvens serpenteadas anunciam a chegada da noite. Mistura-se o pastel do fundo com o negro das silhuetas em contra-luz.
O segredo está em dividir o peso do corpo por uma área maior, deitando-se ou sentando-se e em não fazer movimentos para sair. Da areia movediça.
Confusos com as mantas de retalhos em que vão as nossas vidas caóticas. Pega-se um bocado aqui, outro ali, junta-se tudo e chamamos-lhe vida.
Vou falando de nada para dizer um pouco de tudo. Mas neste momento já está de noite.
E o que sinto são saudades da viagem, da liberdade que foi só nossa por momentos. Os escassos momentos em que realmente respiramos livremente e viajamos para fora e para dentro. Essa efemeridade.

1 comentário:

IN disse...

este post estremeceu-me* i love you girl with purple shoes