21 de maio de 2009

Estas imagens de um dia e outro dia


Encerro em mim um profundo cansaço.
Não desistas! Não desistas! - dizes-me. Mas estás sempre a enganar-me! Queres brincar ao quarto escuro? Perguntas, sabes que a minha visão é fraca, enches-me o caminho com todo o tipo de objectos e ficas tapada atrás de tanto obstáculo que nem com o acender da luz te vejo.
Vou-me logo abaixo, tenho fraqueza nas pernas. Perguntas.
Que deixam-me a tremer de fraqueza. Quando nos pedem algum crescimento. Quando o que cresce é o silêncio das paredes que nos matam. E não há abrigo! Não há casa!
Fugimos por corredores escuros, afogados nas paredes que escorrem. Não há nada! Onde é que se esconde a vergonha? Onde é que escondemos a insegurança? Cospem lava os vulcões contidos dentro de nós.
Em mim encerra-se um cansaço profundo. Para que se perca dentro de si. Para que o ser deixe de se atacar. E se dissipe o nevoeiro para que se veja a costa! Comem-se as vontades, levam-se os desejos, aspiram-se as aspirações, assiste-se à decapitação dos sonhos. Porquê? Não entendes. Nem eu! É o triste de tudo.
Esquecemos o sentir, vagueamos em piloto automático. Sugados em trabalhos para que nos vomitem exames em cima.
Estou chateada comigo por saber que vive em mim muita da tua confusão. Mas estou mais chateada contigo por saber que vives em mim e a tua confusão é a minha. A minha. Cabeça, a minha...
Constatamos o amor-próprio egoísta saudável de outrem e concluímos que isso nos deixa alegres. Não há lutas, não há dramas. Contudo, hoje quis esconder-me de ti porque me matavas de olhar. E doeu ser a causa disso.
Que é o amor? O que é o amor?
Passamos por um poço de ar. Asfixiados pelo silêncio exaltado pelos pulmões. Quando a respiração nos podia falhar por momentos.
Não é só prazer, é muito mais. É união. Sem estar a entrar no piroso. É o contacto entre almas protagonizado pelo corpo. Queres mesmo conhecer-me? Queres mesmo despir-me a pele e ler-me o que se refugia no interior? A minha historia é contada nas entrelinhas, nas entre-peles.
Cheguei com nada e é assim que partirei. Queimem-se as armaduras para que vejas a minha vulnerabilidade. O que vês nos meus olhos, agora.
Enrolada em mim mesma, na esperança de te encontrar no meio da minha pele. E vieste, trancaste-me na segurança dos teus braços para eu estar protegida de mim.
Porque nos escapam as palavras, usamos os suspiros...

"As tuas ideias fixas no coração de chumbo nos lábios virgens
Os vícios, as virtudes tão imperfeitos
A semelhança dos olhares consentidos com os olhares conquistados
A confusão dos corpos das fadigas dos ardores
A imitação das palavras das atitudes das ideias

O amor é o homem inacabado."

3 comentários:

Pablo Flores Pineda disse...

Eu poder enternder la mitad de lo que vc dice.

From Chile!

Daniela disse...

Também estou cansada... à dias em que acordo e apetece-me desistir de tudo, encerrar-me em mim mesma e deixar o tempo lá fora passar. Mas porquê? Se eu vou cansar-me agora ou mais tarde, que o faça agora. O importante é continuar, tudo vai correr bem :)

Anónimo disse...

subscrevo o que disse a Dani: apesar de tudo, o importante é continuar, persistir.