Tenho um nó no estômago.Foi a comida, estou em indigestão porque me deitei. Porque me quis deitar. Só te queria agarrado a mim.
Dançou a comida com o veneno protector do estômago. Porque a melhor defesa está no ataque. Duvido muito de tal coisa. É o instinto animal que nos coloca nessas situações de ataque. Os gatos levantam o pelo, os cães rosnam, os peixes-balão incham e o ser humano faz chantagem emocional. Cada um com a sua maneira mais ou menos ofensiva, cada um usa a sua melhor arma. Mesmo que com ela não saiba funcionar, como é o nosso caso. Aliás, nós seres humanos e a nossa mania de que sabemos o suficiente sobre as coisas e que não necessitamos de experimentar e observar, estudar, é sempre em frente, não nos percebemos que muitas vezes nem somos vitimas de ataque contudo isso não nos impede de levantar-mos a crista como um galo.
Embirramos muito com isto de sermos racionais e porquê? Quando adquirimos o pacote da Racionalidade os sentimentos também vêm dentro da caixinha...
Verdade é que tropeçamos muito na razão, principalmente quando vamos de mãos-dadas aos sentimentos. Porque não a vemos...será? Ou ignoramos, que é a forma consciente de cegueira, o pior tipo de todos, digo-vos...
E à medida que o tempo ia passando, o meu sorriso ia-se desvanecendo, como o sol e o brilho dos meus olhos num acto de compaixão para comigo ia-se perdendo, eu que à muito que estava desnorteada.
O norte. Dão sempre mais importância a este ponto. Bem-vindo (a)O Norte! É por onde se alinham as bússolas, se o perdemos ficamos patetas e confusos. Deve ser por causa da analogia que se pode estabelecer com o corpo humano onde, mais uma vez, se perdemos a cabeça ficamos confusos e apáticos. O pior é que se nós perdermos do norte, automaticamente perdemos todos os outros pontos cardeais. Lá se vai o coração a este, as pernas a sul e o estômago a oeste, ou seja ficamos totalmente atónicos porque a vida não tem sentido a este, porque não queremos nem temos força para andar a sul e foge a vontade de comer a oeste. Ficamos à deriva...
Às tantas pedia para vomitar de tanta viagem, curvas e contracurvas também que eu sentia interiormente a oeste.
Às tantas fiquei à deriva, sem norte, sem ti: o meu este. E dei-te um dos piores olhares que se dá a quem se ama.
"Sou transparente" e não o pude esconder, não pude explicar pois tal coisa não existia no meu universo. Só queria ter ido atrás de ti, só queria ter destruído o meu quarto, só queria que não tivesses percorrido todos aqueles minutos com as imagens nos teus olhos para que a tua cabeça não chorasse.
Eu quero fazer com que valha a pena. Dorme bem.
Eu já estou a dormir e no meu sonho consigo rever os teus olhos felizes, felizes por me verem.
Não tenho nenhum nó no estômago.
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