27 de julho de 2009

Palavras, como-as com bolachas




As palavras podem ser várias coisas.
São várias as palavras.
Têm variados significados.
As palavras têm o significado que nós lhes incutimos.
Ou pelo menos deveria ser assim.
Podem ser vulgares, extraordinárias,
fascinantes, sofisticadas, cruéis.
Verdadeiras, enganadoras ou traiçoeiras...
Numa só palavra cabe todo um numero vasto de objectivos, de intenções, de significados...
A palavra depende da forma como é ouvida e entendida por quem esteja do outro lado, não só da maneira como é pronunciada, da sua entoação.
Isolada, não serve de nada, é um conteúdo de grande vazio, uma sala escura.

Espaço.

"Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe um som para que ela fale por dentro
Ilumino-a

Ela é um candeeiro sobre a minha mesa
Reunida numa forma comparada à lâmpada
A um zumbido calado momentaneamente em exame

Ela não se come como as palavras inteiras
Mas devora-se a si mesma e restauro-a
A partir do vómito
Volto devagar a colocá-la na fome."

E a mais vulgar das palavras, aquela que para mim estava isolada, oca, ganhou significado e mostrou-se tão extraordinária que nem o meu sorriso conseguiu disfarçar.
E a mais vulgar das palavras fez-me sentir parte de algo.

Prima, "é a prima Joana".

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