
A vida não faz sentido e a minha perna não pára de tremer. Antes era assim. A vida era uma sucessão de dias, uns melhores que outros, mas todos eles incompletos.
Eu chorava à noite, não pelos Andrés ou Eduardos ou Marianos da vida - uns perseguem o tempo de forma tão desesperada que acabavam por se enganar a eles próprios, outros aparecem como sendo o nosso escape e por fim os amores platónicos - todos partiram, deixando desilusão, deixando uma lição. Mas não era por eles que eu chorava, era por tudo o que eles poderiam ser, era pela solidão de que eu não conseguia sair. Às tantas, as coisas perdiam o seu interesse, eu tornava-me tão indiferente ao que se passava. No entanto, tudo me batia com tal força. E as minhas mãos tremiam de esgotamento.
Chorava por me ter rodeado de espessas paredes e permanecia imóvel enquanto era asfixiada com as minhas mãos. Era a única maneira de não falar. Assim ninguém me conhecia, ninguém se afastaria de mim desde que eu continuasse um mistério. Até que um dia fiquei sem mim, acabei por me afastar de mim e tornei-me num corpo estranho, num intruso. Tive de fugir porque a melhor maneira de não lidar com o medo ou com a verdade ou seja com o que for é virar costas, ignorar, fingir que tudo está bem.
Talvez por isso, talvez por muitos outros factores que eu poderia enunciar agora, eu criava tempestades à minha volta: concentrava-me em ajudar os outros com os seus problemas; rodeava-me de profundas confusões para não ter de decidir, para não ter de me encontrar. Esta era a minha capa.
Contudo a minha vida era boa, e continua a ser. Era uma vida bastante desajeitada, coxa. E ainda bem que foi assim porque serviu como preparação para o que iria acontecer.
A vida é imprevisível. E tem maneiras pouco claras que nos acordar.
A mudança não se faz sozinha, não surge do nada, precisa de "incentivos".
A mudança nasce quando o Homem sonha (nem todos os sonhos são bons, ou seja, nem toda a mudança é boa), quando o Homem deseja. A mudança parte de um individuo e pode ou não contagiar os restantes. Mas quando não passa do sonho, a mudança é uma utopia porque para concretiza-la é preciso acção.
Eu agi, consciente de que iriam chover mudanças na minha vida. Choveu mais do que esperado...
Com um pequeno incentivo criei uma bola de neve: mudei de casa, mudei o meu exterior, mudei as minhas experiências, mudei o meu coração, mudei o meu mundo. Passaram 7 meses desde que tudo começou.
O mais engraçado é saber que antes, para trazer mudança, tinha de me afastar de tudo e de todos, tinha de sair e que agora não quero sair.
Talvez por isso eu não seja muito de planear, acho que é bastante limitativo e muitas vezes funciona como travão porque "já tinhamos planeado que iria ser assim". Colocamos numa posição de grande pressão: por um lado temos o sonho e pelo outro aquilo que os outros esperam de nós. É difícil agradar a todos e acaba sempre por romper por um lado. "É pior a emenda que o soneto".
Haverá sempre quem esteja contra a mudança, haverá sempre algo de bom na mudança (é a minha opinião, talvez por ser mais optimista). O importante é acreditar.
A vida é inesperada e o seu sentido nem sempre é perceptível. Por isso tenho a perna a tremer.
Comentário final: É agradável reflectir sobre a vida mas nada se compara ao vivê-la.
3 comentários:
Sim, a Beatriz ajudou-me só numa cena, que eu bloquiei :D
adorei o vídeo que me enviaste!
o ratinho é demais!
quanto ao filme da Alice: vai ser realizado pelo Tim e (sim!) o Johnny vai ser o chapeleiro!
Tim+Johnny+Helena B.Carter= promete ser fantástico! (mais uma vez!)
quanto ao teu post: é bem verdade que se por um lado temos o sonho, por outro temos aquilo que os outros esperam de nós.
viver sob pressão é do pior.
também muitas vezes prejudico-me a mim própria ao pensar de mais e planear em excesso mas acho que se tornou inevitável...
beijinhos.
foto linda linda !
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