
Ágora, centro politico das antigas cidades-estado, onde se discutiam assuntos da vida, da politica, da religião. Um filme muitíssimo bom.
É impressionaste como uma historia escondida na Historia faz ainda tanto sentido, quando já não deveria de fazer. "É triste", disse, pensei, disse novamente. Afirmamos que somos uma civilização evoluída e somos realmente. Podemos transportar a nossa colecção gigante de musica na mão, mas não sabemos andar de mãos dadas. Conseguimos comunicar com qualquer pessoa de qualquer lugar do planeta sem precisarmos de sair da cadeira, mas não nos mexemos ao ver injustiças mesmo à nossa frente.
Quantos de nós já viraram a cara, ignorando a realidade? Quantos de nós já seguimos ordens transparentes de outros, sem avaliar primeiro a sua legitimidade? Quantos de nós já tiveram cegos?
Muitos, muitos é a quantidade de inocentes apedrejados. Não! Imensos! Apedrejados por ter uma cor diferente, uma crença diferente, um deus diferente, um pensamento diferente, uma opinião diferente. Quando é que foi que nos tornámos tão incompreensíveis? Desde quando é que assinamos por baixo de tamanha hipocrisia?
Vendemos compreensão e amor ao próximo nas nossas religiões (qualquer que seja a nossa religião, qualquer que seja a nossa crença) mas quando saímos à rua ficamos sempre à espera de um deslize para iniciarmos a nossa vingança. Somos tão cegamente comandados...
Eu acredito muito na Humanidade, acho-a fascinante, adoro-a e adoro-a tanto ao ponto entender a sua imperfeição, mas não a aceito. Nunca o hei-de fazer.
Dizem-nos "mulher é silencio" e imediatamente vamos encher as nossas bolsas com pedras para atirarmos à primeira "bruxa", à atrevida que ouse pensar em elipses, quando só vemos rectângulos, quando só vemos que tudo gira à nossa volta. Retiramos a dignidade, não às "bruxas" ou aos "judeus" ou aos "adoradores de deuses com coroas de flores", mas sim a nós.
Não me interessa que nos amemos todos uns aos outros, não busco amor universal, pois este não servirá de nada se nos faltar o respeito e esse falta-nos às toneladas. Não há respeito, já não se usa, é démodé. A trend agora é mandarmos os imigrantes para a sua "terrinha", é sermos todos sorrisinhos na frente e apunhalar por trás, é não ver a meios. Que miserável! Mais valia roubar, que pelos menos assim a pequenez é visível. Que povo mesquinho este! Quisesse eu que fosse apenas o povo de Portugal, contudo a doença é mundial e ainda não existem "tamiflus" para esta "nova" estripe.
E muitos mais morrerão, muitos mais passarão fome por realidade e por ideologia, muitas mais bibliotecas serão destruídas, sempre que o conhecimento se puser no caminho da nossa vontade.
Não só é mau o pastor, mas como também são más todas as ovelhas que o sigam sem questionar legitimidade dos pastos.
Mas, este filme fez-me chorar. E mereceu cada lágrima!
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