
"Daqui a nada tenho de ir dormir e não me apetece nada."
Eu tenho uma coisa muito boa, algo muito forte. Sempre fui assim, mas já não sou o que era.
Perdi parte de mim, perdi a parte que sentia paixão pela vida de estudante, pelas aulas, pela motivação que era aprender, desenhar. Ganhei muito mais...
Estamos bem onde não estamos. Eu estaria muito bem de mala às costas e maquina fotográfica na mão, com a outra a segurar noutra mão. Mas em que universidade se tira esse curso, que futuro tem isso?
Não se trata apenas de se fazer o que se gosta, é necessário ver se podemos viver fazendo o que gostamos, o que no meu caso é difícil.
É muito mais fácil saber o que não se quer. Porque é que nunca nos perguntam isso?
Talvez parte do ser humano passe por querer algo que é improvável vir ter. Eu continuo a tentar encher a minha mala, às vezes é tão difícil, só de pensar nas horas que vou ter de passar em frente a uma maquina de costura.
Quando é que se descobre que estamos no sitio certo? Quando entrarmos num sitio errado? Às vezes era muito melhor se soubéssemos logo.
O meu blogue também já não é o que era, é mais fácil escrever de coração partido do que de coração inteiro e feliz de amores. É mais fácil escrever quando se sente raiva, ou outro sentimento grande e pesado. A minha vida profissional é que anda a deambular e a chocar contra paredes. E pelos vistos, o meu septo também andou. Ou então já levei com muitas bolas de futebol, basquetebol e etc na cara...
Levantei-me sempre, por mais que doesse, por mais que tivesse de puxar as lágrimas para dentro e pensar "não doí, não doí" e doía tanto e toda a gente perguntava se eu estava bem. Há muitos septos desviados, há muitos corações partidos. Deviam de ter mais cuidado para onde rematam.
Mas mesmo com o septo desviado, o teu cheiro encanta-me como a flauta na historia, e eu vou seguindo, fazendo o nosso caminho caminhando, como me mostraram um dia.
Custa tanto caminhar sem se olhar para trás, vemos pessoas que um dia tiveram tanto significado e importância para nós mas que por acções diversas tiveram de se deixadas para trás. Pessoas que nos eram especiais, amigas a quem contávamos quase tudo e que contavam tudo o que era nosso a outros, amigos que quiseram o nosso mal e que quiseram que nos sentíssemos mal. Eu tenho saudades, mas não de tudo.
Tenho saudades do tempo e de ter tempo para ter tempo, do bom tempo.
Ai Otávio se eu não te tivesse comigo agora! Toda a gente merece ter alguém como eu tenho, a sério. Quantos têm o luxo de terem um namorado e um melhor amigo tudo na mesma pessoa? É o que eu tenho. É tudo o que eu não quero perder.
Eu tinha de ir dormir, mas já chorei.
Até amanha, beijinhos.
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