Afinal,
a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
E sentir o sol, sentir o vento, sentir o calor nos dedos, sentir que o tempo podia parar ali e não andar mais porque naquele momento eu estava feliz, estava eu.
A facilidade com que deixamos escapar os momentos é tão vulgar, tão ordinária. A facilidade com que nos deixamos escapar de nós próprios...
Mas quando temos um daqueles momentos, sabe tão bem. Estar simplesmente, estar ali e o resto não existir, não há pesadelos, não há problemas ou dramas, não é preciso fugir ou esconder, não é preciso estar em piloto-automático ou manter a mente ocupada com trabalhos. É magia, como diria alguém que eu conheço. Transcendente.
Lembrei-me de quando eu achava que podia ser assim para sempre. Quando íamos só pelo prazer de ir. Eu tenho muita vontade de ir.
O tempo pára-nos, o medo pára-nos, a cabeça retém-nos. O tempo passa, o medo fica e a cabeça...a cabeça...ela simplesmente não sabe ficar quietinha.
Mas ontem, ontem não houve nada disso.
Obrigado.
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