
Aqueles sentimentos estão a voltar. Acalma-te! Acalma-te! Não ouve. O mundo voltou a sufocá-la. Porque é que giras tão depressa, se sabes que não te consigo acompanhar? Deixou-se perder e agora não consegue encontrar-se. Voltou aquela velha casa. Oh! Que bonita que ela continua! Com o seu alpendre de madeira e a cadeira de baloiço onde se costumava sentar a observar as grandes montanhas, pequenas lá ao longe, o céu rasgado pelos últimos raios de luz e os campos, onde o vento e o trigo se uniam, dançando e cantando naquela melodia silenciosa. Ela recorda-se de tudo. Agora, todo aquele silêncio rompia-lhe as veias, gritando lágrimas por seus olhos. Sozinha, rodeada de coisas sem sentido, tinha medo (medo de entrar). Onde foi que deixei o meu coração? Sente saudades do calor do Sol na sua pele, da sua mão áspera que agarrava a dela, dando-lhe segurança. Ela procura-o, mas ele fugiu e escondeu-se por detrás do tempo. Ela não gosta do tempo! Ele é instável e traiçoeiro, abraça-nos dizendo que estará sempre ao nosso lado, mas a cada segundo que passa fica mais distante. Ele não a quer magoar, ela não quer estar sozinha. Ele quer garantir o seu futuro, o futuro dela irá estar sempre incompleto sem ele. "Eu entendo." Dentro da sua alma pergunta se ele a entende também. A imagem dele persegue-a, ela tenta libertar-se, mas ele é teia de aranha e envolve-a, cobrindo o seu ser, retirando a sua vida. Ela tem quase a certeza que o ama, quer mostrar-lhe os sítios onde já esteve, ele faz os seus olhos brilharem, ele fascina-a. O que é que faço? Passa o dia a entreter o pensamento. Quanto mais se ri, mais frágil se sente. Perdeu o controlo. Oh! E quando ele volta, abraça-a e ela regressa à casa novamente. Ela apenas necessita de paz e tranquilidade. Espero que um dia nos encontremos outra vez. Às vezes, parece que o que vê é uma ilusão, fantasia da sua mente complicada e confusa. Lá no fundo, sabe que vai ficar bem, é uma lutadora. Ambos o são. Mas, desta vez, algo está diferente, algo mudou na casa. Sente falta dela. Já não se reconhece. Talvez um dia possam ir viver para a velha casa. Talvez um dia ela possa deixar de ir a correr pelo campo, fugindo de si própria, do seu mundo, gritando liberdade. Talvez um dia compre outra cadeira de baloiço e ambos passem longas tardes juntos, deixando que seus silêncios falem.
2 comentários:
Gosto tanto *.*
foi precisamente este que me fez chorar, e estou a comentar agora porque agora já sabes a razão das minhaas lagrimas...quase secas, mas são sempre lagrimas...e doi sempre tu já sabes disso*
Enviar um comentário