
Como foste capaz? Como fui capaz? Na verdade nenhum de nós teve culpa, nenhum de nós é responsável por tal destino. Destino traiçoeiro. Juntou-nos para que estivéssemos sempre separados. Separados por duas distâncias, distâncias que ao inicio não se viam de tão pequenas que eram. E sim, é difícil perder alguém que nunca nos deu a mão. E nós nunca demos a mão! Demos coração, demos alma, demos o abstracto, dei-te um adeus e tu deste-me um bilhete. Rasgado, tal como eu me senti durante meses, durante anos. Dois, anos e seres que lutaram juntos contra as repressões. Mas a batalha era outra... Tu foste tanto para mim e tanto de mim. Cativaste-me e por isso nunca te esquecerei. Já não te amo, decidiste partir, fugiste, desapareceste da minha vida e da tua. Eu sei que me amaste. O tempo separou-nos, os milhares de quilómetros entre nós condenaram-nos e a rotina matou-nos. Porque é que baixamos as armas? Porque é que nos rendemos? O amor também morre? Amo-te como se ama o primeiro amor, com saudade. E tu foste o meu primeiro amor. Mas a nossa história parou. Parou à um ano e eu não me arrependo. Estás arrependido? Não posso guardar arrependimentos, eles provocam grandes mágoas. E não escrevo para me sentir mal, que é o que estou a sentir agora, quero recordar tudo, mau e bom mas com um certo bem-estar por esse tudo ter acontecido.
Aos olhos das pessoas que nos eram mais próximas éramos loucos. Loucos por nos amarmos quando o único contacto físico que tivemos foi um agarrar de braço da tua parte e um aperto de mão. Eles simplesmente não entendiam que isso fazia parte da magia, da nossa essência. Tínhamos tudo o que queríamos, tínhamos sonhos e promessas. Não me esqueço delas e sei que tu também não. Para o ano iria ter contigo e iríamos viver juntos. Tu mostra-me-ias o mundo, as tuas origens, a tua história, a tua vida. Passado uns anos casaríamos, em dois sítios distintos e teríamos filhos. E as horas que gastamos a falar quando já todos dormiam e tu tinhas de ir trabalhar no dia seguinte. Dizias que não te conseguias ir embora, procuravas-me, esperavas-me e eu fazia o mesmo, pensava em ti a toda a hora e saltava de alegria com as tuas mensagens. Gostavas de mim como era, sem pôr nem tirar, o interior e o exterior e isso para mim chegava. Fascinavas-me com a tua maneira de ser, com a tua voz, com a tua inteligência. Preocupavas-te com o mundo e sabias falar de politica e futebol, filmes e viagens, etc. E eu adorava falar disso tudo! Tens mais experiência de vida que eu, nem sei o que viste em mim. Dizias que era o sorriso. E, de facto, ele ficava diferente contigo, os olhos também! Às vezes, ofendias-me com os teus ciumes. Soubeste dar-me a segurança necessária para eu não fugir, não sei como o fizeste. Eu lia-te os pensamentos e a nossa ligação era tão forte que eu sentia quando estavas mal. Os domingos à tarde nunca mais foram os mesmos. Não são maus nem bons, são diferentes, têm a tua ausência. Os dias da semana sentem a tua falta. Aquelas tardes onde o sol entrava pela janela do meu quarto, mas nós não caímos na sua melancolia, ali ficávamos a rir.
Eu sei que te afastei e que te magoei. Tu sabes que me afastaste e me magoaste. Inconsciente e conscientemente, mas magoámo-nos. Tu paraste de falar comigo durante uns meses, eu cheguei a pensar que tivesses morrido, várias vezes. Sofremos e aprendemos com isso. Crescemos. E agora conseguimos viver separados.
Mas viveremos para sempre separados? Não sei. Neste momento sim, porque não estás aqui e porque eu tenho o coração ocupado por uma pessoa maravilhosa, alguém que ando a conhecer aos poucos. Mas sei que um dia iremos encontrarmos, como amigos, como amores, como estranhos, como sempre, como nunca o fizemos.
Parabéns Mariano, parabéns atrasados!
Hasta pronto.
3 comentários:
Ai o que eu ouvi "tenho saudades dele", "ai que lhe aconteceu qualquer coisa", "oh daniela o que é que eu faço?" e agora estás a escrever-lhe uma carta como boa amiga. Olha que há coisas... Mas fico muito feliz por ti, tanto pelo que viveste e pelo que estás a viver. És uma eterna alma apaixonada Joana!
ahahahhaah o tempo deixou-me mais fria. Agora limito-me a ficar quieta e espero. Amor estou à tua espera! e olha q eu não sou pessoa de ficar de braços cruzados à espera que me caias nos braços!
:S mesmo ja sabendo desta historia. ler isto assim é mesmo :S...que lagrima...
...a foto dele no teu dossier :D
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