21 de dezembro de 2008

O despertar da mente


Would you erase me?

NÃO! Nunca! Não te posso apagar, fazes parte de mim, apagar-te seria apagar uma parte de mim e eu preciso de me ter inteira. Preciso de te ter (inteiro). Preciso das lembranças para saber que o presente faz sentido (por muito pouco que seja...). Imagino-me sem uma parte do meu passado, uma parte qualquer, boa ou má e, sinto-me tão incompleta, era como se fosse eu com a mesma personalidade (ou uma personalidade muito semelhante), com a mesma cara e o mesmo corpo, mas fazendo o papel de outra pessoa, dentro de uma outra alma, uma outra pessoa que não deixava de ser eu mesma e no entanto não era eu. Era uma simples metade, uma migalha da minha pessoa.
Agora que penso, se calhar já sofremos todos qualquer tipo de "apagamento" de memórias. Se calhar não, é muito provável mesmo, diria que tenho quase a certeza. Sim, tenho quase a certeza porque a nossa mente, para nos proteger, entorna tinta preta em cima de memórias que nos provocam dor. Eu tenho alguns, e por mais que me esforce para limpar esses borrões e ver o que está lá, não consigo, a tinta fica mais escura. Não sei se tenho sorte por isso, é algo que perdi (e eu não gosto de perder coisas).
E se nos candidatássemos a essa "cura", iríamos sentir arrependimento durante o processo (que é feito durante o sono), iríamos querer acordar e salvar todas as recordações, levaríamos o que mais de precioso temos ou tivemos para um sitio fora do mapa? Que lembranças quereríamos guardar? Qual é o teu maior tesouro?
Perderíamos tudo: o momento em que estávamos tão felizes, aquele momento em que sentimos uma felicidade tão pura que podíamos morrer logo a seguir porque era estávamos onde queríamos estar. Quantas vezes é que já nos sentimos assim? Pois, todavia apagá-lo seria a nossa escolha. "A dor é insuportável." Quem sou eu para julgar? Seria escolher a solução mais fácil para parar de dar cabeçadas às paredes (literalmente ou não).
Ele escolheu apagá-la. Ela já o tinha apagado. Sempre foi impulsiva. Ele assistiu nos seus sonhos à passagem das lembranças que possuía com ela, viveu-as de novo. Isso fez com que percebesse a importância que ela tinha para ele. E quis parar tudo, desistir e já não havia nada a fazer. "Esconde-me na tua humilhação". Fugiram de mãos dadas, foram para a sua infância e de nada isso lhes serviu. "Adeus, Joel". "Eu amo-te". "Vem ter comigo a Montauk". Ela foi apagada. Aqueles dois anos não passaram de um sonho para ele. No dia seguinte, teve um "click" e foi parar a Montauk, algo o fez correr para apanhar esse comboio. E foi assim que eles se conheceram. Foi assim que tiveram a sua segunda oportunidade. "Remember me. Try your best". As segundas oportunidades são raríssimas. Achamos sempre que passará outro comboio. E passa, simplesmente nos leva por outros caminhos a um destino que já não é o mesmo. Faz-nos muita falta um abanão.
Eu quero que fiques. Fica por muito tempo. Não te quero ver partir. Não partas! Se o tiveres de fazer pelo menos deixa-me ficar com uma despedida como lembrança. E guardarei essa lembrança como algo de bom que será colocada ao lado de todas as outras boas lembranças. Então quando me lembrar de ti, será com saudade, as memórias que tenho de ti estarão pintadas com raios do pôr-do-sol e com uma suave brisa.
"O brilho eterno de uma mente sem lembranças". Penso que encontrei um dos meus maiores medos, senão o maior deles todos. Perder o passado implica perder a minha identidade. É o mesmo que sofrer de amnésia. Por esse motivo é que tenho uma caixa de recordações (na verdade tenho duas, uma para coisas gerais e outra para coisa de viagens). Tenho esperança que, se alguma vez deixar cair um frasco de tinta no meu córtex, aquela caixa me ajudará a apagar a tinta.

"You can erase someone from your mind. Getting them out of your heart is another story." (estabelecemos relações mais fortes com o coração do que com a mente, por isso é que ele fica mais marcado...)

9 comentários:

Jojo disse...

aquele teu ataque de riso hoje foi lindo x)

Daniela disse...

Sabes às vezes gostava de apagar o passado, mesmo que lá estejam coisas boas (pessoas, locais, momentos...) ou más. Não é pelas más recordações, é mesmo por começar de novo. Se calhar iria cometer os mesmos erros e querer apagar tudo de novo, mas sei que esses erros estavam destinados para acontecerem 2 vezes...

Jojo disse...

nós fazemos o nosso destino...

Anónimo disse...

ppl think 2 much

Daniela disse...

Adoro as mudanças que fazemos aqui nestes nossos mundos virtuais! :)

Anónimo disse...

fds esta foto és tu?!

Jojo disse...

sim!

Anónimo disse...

Some of the content is very worthy of my drawing, I like your information!

Anónimo disse...

You these things, I have read twice, for me, this is a relatively rare phenomenon!
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