Sinto que estou prestes a entrar numa nova montanha-russa.
Respira fundo. Agarra-te Joana! Não te agarraste e agora andas por aí meio perdida, a deambular, sem vontade. O vento soprou mais forte hoje e lá foste tu a voar como se fosses um taxareco. Não te esqueças da tua condição de ser humano. Quando mais te apetece voar é quando te pedem para guardares as asas. Pedem-te paciência. Ah vão para o inferno! Instabilidade de rapariga!
Acena um adeus e lá vai ela. Apertem os cintos, durante a viagem mantenham as mãos e a cabeça dentro do carrinho, boa viagem.
...e fugida.
Não me façam perguntas, não me dêem respostas. Deixem-na ir que ela volta. Volta sempre. Voltas sempre! Volto sempre! Porque é preciso estar sempre a voltar. Porque nunca fui. Volto sem ir. Saltas as partidas e fazes só as chegadas. Ou, então, faço as partidas e ao chegar já não sou eu, sou outra no meu corpo, sou outro corpo. Serei um outro espaço com limites semelhantes ao meu, mas com vista para outros mares. Uma sala com uma disposição decorativa diferente.
As indefinições. As minhas indefinições. Acabas de passar um looping. Atira-te ao mundo. Vá, outra vez! Uma vez mais. Só mais uma vez.
Repete. Vamos voltar a repetir. Quero repetir. Correr para trás com o intuito de roçar o passado. Passou. Já passaste! Passa-me o passado das coisas que já passaram. Quero passar por elas outras vez. Desta vez de forma diferente. Quero algo parecido a um copy paste. Já somos quase máquinas.
O que nos difere da maquina é que a maquina não tem coração, nós temos e é de metal.
Se formos a ver todas as montanhas-russas acabam onde começam. Começamos por ser inexistentes e, ao longo do tempo, é nisso que nos tornamos: em inexistência. O fim da nossa viagem na montanha-russa acaba no inicio, nunca sabemos quantos loopings, subidas e descidas vamos encontrar, não sabemos o que iremos perder pelo caminho, nem o que ganharemos e não acabamos, necessariamente, da mesma forma que começámos.
Antes de ganharmos seja o que for, perdemos sempre qualquer coisa.
Ai, Joana, Joana, caminhas sempre alegremente para a montanha-russa. E dormes a sorrir. Estás sempre a sorrir. Não te cansas?
Não, prefiro assim, não estou presa a nada. Se quiser ir estudar para o Minho posso ir. A minha família, será sempre a minha família. Os meus amigos levo-os no bolso esquerdo da camisa, junto ao coração.
E mudas muito facilmente de assunto não é?
Mudo, estou sempre a mudar. Acredito na mudança e por isso mudo. Mudo-me e mudo-me e mudo-me. Se posso variar porquê ser sempre igual e previsível? Nisso sou parecida com a vida. Ela pode mudar de um dia para o outro, é imprevisível e irónica. E sabe dar uns valentes pontapés a quem anda a dormir.
Muita gente conduz a dormir na estrada da vida. Depois não vêem as curvas e caiem. Já adormeceste ao volante? Liga o rádio. 97.8
Parem a montanha-russa! Quero ir dormir! Agarro-me amanha. É sempre amanha. Os planos são feitos em cima do joelho.
Até amanha.
3 comentários:
só para dizer que...
adorei este post!
"Se posso variar porquê ser sempre igual e previsível?" Claro está! É por isso que uso gorros com pompons no cimo xD
Estou-me a lembrar da tua voz de rei Juliano xD AHAHAHAHAH
"Eu sou uma dama" :)
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