15 de março de 2009

Tom sem Tom. Com um pouco de Meio Tom


Hoje vi uma estrela cadente pela primeira vez. A nossa primeira reacção é pensar logo que o que vemos é uma realidade totalmente complexa e diferente do que realmente é a realidade. Eu pensei que fosse um avião a cair. Um foguete, depois... Por fim, excluídas todas essas remotas opções conclui que era uma estrela cadente. Era tarde demais para pedir um desejo! Com tanta complicação tinha perdido o essencial da questão. Ninguém desperdiça assim desejos. Era a oportunidade de ver um desejo realizado. Ah que tola Joana! A deitar fora oportunidades dessas! Cinco curvas mais à frente, apercebi-me que não preciso de nada. Sorri. Preocupamo-nos com tantas insignificâncias. Estabelecemos lutas por materialismos e futilidades. Suspirei. "Adorei a tarde". E ainda fui prendada com uma estrela cadente.
"Isso aí é para sempre!" Para sempre não! Prefiro que seja por um espaço de tempo indeterminado. Oferece mais liberdade. As relações não são para nos prenderem, são para nos libertarem. De nós mesmos, das rotinas, de tudo. E quando não o fazem é porque perderam a sua qualidade de boa relação. Entristece-me ver pessoas que desistem da pureza. Colocam todas as pessoas na mesma caixa e fecham-se em copas porque sentem-se "protegidas". Na verdade, estão a ser atacadas pelo nosso inimigo número 1: NósMesmos. O NósMesmos está sempre connosco, nunca nos larga, solta gargalhadas nos bons momentos e quando nos tornamos vulneráveis ataca-nos onde a ferida doí mais. Mas a culpa é do mundo exterior, que é mau e feio. Arrota-nos na cara e dá-nos murros na barriga. Estas pessoas vivem constantemente com óculos escuros postos. Agarram-se ao negro. O mundo não é cor-de-rosa com diamantes incrustados. Os tons extremos do mundo criam um cinzento fascinante. Mas só alguns vêem esse meio tom.
Eu parei de fugir. Deixei o NósMesmo e a OpiniãoDosOutros a falaram com as paredes. E sinto-me bem por ter feito isso. Senti-me feliz! É difícil olhar de frente para trás. Custa menos usar a visão periférica que deixa partes da verdade distorcidas. Quando olhamos para trás vemos que o que está lá é um espelho. Eu perseguia-me, gritava "foge!" e se parasse ia ficar presa. E eu não fiz isto, nem sei porque não o fiz. Nem prometo que não o volte a fazer. Não tenho necessidade de fugir. Não tenho medo. Não quero sair da vida de ninguém. Quero ficar.
E apaixonei-me. Por ti! Por aquele céu salpicado de estrelas que observei quando estava pendurada na janela do carro. Mas, sobretudo, por ti.
Sem jogos, sem mentiras.

1 comentário:

Daniela disse...

As estrelas cadentes são lindas!