Sentir nada. Ou simplesmente nada saber sobre o que se sente.
São estes entrelaces da vida que me pregam rasteiras. E me deixam triste quando volto para casa no comboio.
Às vezes parece que vivem duas pessoas em mim. E não falo daquela roupa social que vestimos todos os dias, ou quase todos, que a alma também não aguenta tanto pontapé.
Sou uma pessoa, mas assim que o primeiro pé pisa o autocarro, vem logo uma outra e estraga tudo.
Às vezes, sinto-me tão estragada. E o pior é que já vem de tão lá de trás. Impressionante como certos acontecimentos que de tão pequenos que por vezes chegam a ser nos estragam tanto e nos atrofiam tanto.
(À uns dias, um dos meus maiores fantasmas reapareceu, eu já não pensava nele à muito tempo.)
Que treta! Luta, porra! Por mim, para eu não ser um dado adquirido. Porque ninguém quer ser isso e eu sei que vou dar tudo, mas um dos pés não me deixa avançar. Deixa!
E o pior é que eu até consigo entender que não seja e sei que nada do que disse corresponde à realidade, porém é assim que me sinto: insegura e adquirida. E é tão estúpido estar assim...
Não tenho qualquer expectativa a longo prazo. Vou deixando andar.
Eventualmente vai ao sitio.
Estás cansado e eu não te quero cansar mais.
Nada do que escrevi faz sentido. E só me apetece apagar isto tudo.
Raios! Esquece...
Quero sair daqui.
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