2 de janeiro de 2013

Past tense

O passado.
Bem ou mal, passado.
O passado não morre.
Talvez se transforme. Talvez fique na mesma
e o que muda mesmo é o presente e o futuro.
Mas morrer, não morre.
As pessoas não morrem, 
mesmo que já não vivam,
não morrem.
O passado é isso mesmo. Por muito que custe aceitar.
É sempre visto como algo maravilhoso,
mesmo que não o tenha sido,
qualquer coisa é melhor que o presente e o futuro não sabemos como será
por isso viramo-nos para o passado. Agarramo-lo com todas as forças,
fazemos dele a nossa casa, porque é seguro. Vivemos presos a ele.
E não vemos o que fazemos ao presente, não vemos que comprometemos o futuro.
Ser português não ajuda, temos uma espécie de pré-destinação para adorar o passado.
O passado não quer saber, ele dá algum consolo, mas não aquece, não abraça.
Ele não ama ninguém. O passado vai existir sempre, mas não vai passar disso.
De momentos na praia, nos transportes, de fotografias de tempos que já passaram.
O passado não morre, mas perde importância.

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